BRINCADEIRAS NÃO TÊM SEXO

Quem nunca se deparou com meninas que gostam de jogar futebol e meninos que preferem uma boneca a um carrinho? A situação pode ser comum, mas a atitude tomada pelos adultos diante dela varia bastante.
São os adultos que esperam de meninos e meninas comportamentos específicos. Os pequenos não estão nem um pouco preocupados com as regras que definem papéis diferentes para eles ou elas. O que querem é se divertir! Por sinal, até os 3 anos, em média, as crianças não encaram as características biológicas como diferenças. Mas, se repreendidas ou ridicularizadas quando não fazem as escolhas consideradas corretas, aprendem, além de homens e mulheres não serem iguais, que também existe um modelo de masculinidade e feminilidade e uma relação de poder entre eles. E ai de quem ousar romper com valores construídos há séculos!
É realmente difícil romper com padrões tão enraizados, mas essa postura é ultrapassada. Pessoas que estudam, lêem e se atualizam sabem que a sociedade está mudando, assim como os papeis do homem e da mulher. “Discutir as relações de gêneros é, antes de tudo, atribuir novos significados à nossa própria história e cultura”, explica Daniela Finco, pesquisadora do Grupo de Estudos de Educação Infantil da Unicamp.
A brincadeira é uma representação da vida. Por meio dela, as crianças dão sentido às experiências por que passam e reproduzem sua relação com as pessoas ao redor. Impedir que meninos ninem uma boneca, por exemplo, é uma das piores formas de censura. Os garotos têm visto pais, tios e amigos da família dividindo os cuidados dos filhos com as mulheres. Ao reproduzirem esse novo modelo de masculinidade, no entanto, são rotulados de anormais.
As meninas também se transformam em vítimas quando são tratadas como inferiores aos meninos, e, pior, quando são convencidas de que isso é verdade por questões biológicas. Elas não podem falar alto, são estimuladas a serem educadas. Meigas e emocionais. Além disso, aprendem que as tarefas domésticas serão suas incumbências no futuro. É como se não houvesse outra possibilidade de vida além de ser mãe e esposa.
Mesmo que seja difícil romper com uma história secular de Educação sexista, os pequenos sempre darão um jeito de subverter a ordem das coisas. “Eles só querem um bom companheiro ou companheira para brincar”, conclui Daniela Finco.
Fonte: Revista Nova Escola/ Ed. Abril - Junho/Julho 2007
Referências Bibliográficas:
http://familia.sapo.pt/bebe/etapas_de_desenvolvimento/bebe_saude/825328.html
http://www.colegiomichel.com.br/home/identidade.pdf
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