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Formação da criança para a AUTONOMIA...Ler... Conhecer...e Refletir....

O desenvolvimento moral segundo Piaget se dá através das seguintes fases:

ANOMIA: é a primeira fase, a fase pré-moral, natural da criança pequena, egocêntrica, onde as necessidades básicas determinam as normas de conduta e as atividades motoras são centradas na própria criança.

 O indivíduo joga com ele mesmo.

Heteronomia: nessa fase a criança começa a perceber o outro, e perceber que a verdade e a decisão estão centradas no outro, partem do outro, no caso um adulto, a regra é exterior ao indivíduo.

Há apenas o respeito à autoridade. Não há consciência, nem reflexão, apenas obediência.

Autonomia: aqui o indivíduo adquire a consciência moral, possui princípios éticos e morais.

“Ser significa estar apto a cooperativamente construir o sistema de regras morais e operatórias necessárias à manutenção de relações permeadas pelo respeito mútuo.” [...].  Para Piaget um dos principais objetivos da educação é a busca constante da construção da autonomia. Logo, as experiências escolares deveriam ser estruturadas na colaboração, cooperação e intercâmbio de pontos de vista, na caminhada conjunta para o conhecimento. Ele caracterizava "Autonomia como a capacidade de coordenação de diferentes perspectivas sociais com o pressuposto do respeito recíproco". [...]

Segundo Constance Kamii: "A essência da autonomia é que as crianças se tornam capazes de tomar decisões por elas mesmas. Autonomia não é a mesma coisa que liberdade completa. Autonomia significa ser capaz de considerar os fatores relevantes para decidir qual deve ser o melhor caminho da ação [...]”

REFLEXÕES SOBRE AUTONOMIA
Por Rosely Sayão – Folha de São Paulo

Recebo muitas mensagens de pais às voltas com a educação dos filhos, e um fenômeno tem me chamado a atenção: a correspondência de pais cujos filhos fazem cursinho ou estão na faculdade tem crescido bastante. O ditado popular “filho criado, trabalho dobrado” agora parece ter aplicação literal.

São várias as questões com as quais os pais têm dificuldades de lidar: um jovem não quer estudar nem trabalhar, outro já prestou vestibular três vezes e quer fazer mais um ano de cursinho porque não desiste de tal universidade, uma jovem que acredita ter feito uma escolha equivocada de curso e agora quer largar tudo, outro que exige um carro porque não quer usar transporte coletivo, etc
Apesar da diversidade de situações, podemos arriscar uma hipótese abrangente: muitos jovens hesitam em entrar na vida adulta. Essa adolescência estendida tem sido construída com o apoio das instituições mais importantes na formação deles: a família e a escola.

Nunca falamos tanto em autonomia quando tratamos da educação dos mais novos. Pais de crianças com menos de 5 anos já autorizam o filho a passar a noite em casa de conhecidos, permitem que escolha suas roupas, brinquedos e até a escola que frequentará.

Um pouco mais tarde, em nome da autonomia, muitas crianças são abandonadas à mercê de seus parcos recursos de autocontrole. Isso quer dizer que damos autonomia às crianças e aos adolescentes quando ainda não têm competências para usá-las.

Aliás, nunca é demais lembrar que o processo de construção da autonomia passa, necessariamente, pela heteronomia, ou seja, por um período de submissão a alguns adultos.
Parece que essa autonomia significa sair de cena para que o jovem “protagonize” sua vida. Mas é preciso entender que a passagem da heteronomia à autonomia ocorre a partir da adolescência, jamais na infância, e com a devida tutela dos pais e da escola, que devem acompanhar como o jovem administra a liberdade pela qual terá de se responsabilizar.

Tal atitude faz parceria com outra assumida por muitos pais. Eles fazem de tudo para evitar que os filhos sofram, enfrentam as dificuldades da vida, se frustrem, arquem com as responsabilidades sobre seus atos. Ao mesmo tempo, tentam oferecer-lhes a melhor vida social possível. Isso faz com que os jovens cheguem ao final da adolescência sem autoconfiança, sem orgulho de seus feitos, com enorme dificuldade para perseverar diante das dificuldades e com medo do futuro. Aí dá para entender sua falta de resistência diante da adversidade, dos obstáculos e das exigências do final da adolescência. A opção que surge, então, é estender esse período, evitar a responsabilidade de ser adulto, viver por sua própria conta e risco.

Os pais que querem ajudar esses jovens precisam sair de cena, ainda que tardiamente, para que eles finalmente tenham oportunidade de realizar o potencial que têm.

(ROSELY SAYÃO é psicóloga e autora do livro “Como Educar Meu Filho?” – Editora Publifolha)

Referências Bibliográficas:

http://amagiadeeducar.spaceblog.com.br/599233/Formacao-da-crianca-para-a-AUTONOMIA-Ler-conhecer-e-Refletir/

http://www.amigasdapracinha.com.br/?page=ver_materia&id=1373&cat=Antena

 
 

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