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COMO LIDAR COM A MORTE.
Meu aluno perdeu o pai. Devo tocar no assunto com ele? O que falar para a turma?
Por Marli da Silva, São Paulo, silamar@uol.com.br

Discutir a morte não é tarefa fácil nem para a família nem para a escola. São raros os pais que educam os filhos para enfrentar perdas, como são raras as escolas que incentivam discussões sobre o tema. Acredita-se que o tempo se encarregará de ensinar. Não pode ser assim. É preciso falar que nossa existência é finita. "Eis uma ótima oportunidade para debater questões filosóficas e deixar que a turma construa conceitos como o que é a vida ou a morte”, sugere a psicóloga Ana Cássia Maturano.

O assunto deve ser tratado de forma aberta. Desde os 2 anos, a criança é capaz de entender a perda: um animal de estimação que foge, a ausência dos pais e a morte em desenhos animados. Porém, até os 4 anos ela tem a idéia de que isso é reversível. O sentimento de angústia é observado nos desenhos que os pequenos produzem e na maneira como brincam com os colegas.

Ao receber o aluno, diga que você sabe que ele perdeu uma pessoa querida e que está à disposição para conversar. Acolher e dar carinho são os melhores remédios nessa hora. Mostre que a morte não é um castigo, mas um acontecimento natural. Não reduza a gravidade do momento dizendo que a pessoa agora está no céu, foi viajar ou virou estrela. "Explicações mágicas impedem que o aluno faça perguntas, criam angústias e mascaram o problema", afirma Maria Helena Pereira Franco, psicóloga e coordenadora do Laboratório de Estudos e Intervenções sobre o Luto da PUC de São Paulo. E fique atento às reações dos estudantes (veja no quadro abaixo). Tristeza e queda no rendimento escolar são naturais. Seja paciente e cautelosa ao cobrar um melhor desempenho.

Reações de luto

Após o trauma pela morte de uma pessoa próxima, a criança ou o jovem pode apresentar mudanças no seu comportamento.

Veja quais são as reações mais comuns.

Nos pequenos:
· queda no rendimento escolar;
· agressividade e insegurança;
· euforia e estado de fantasia;
· tristeza, depressão e medo;
· excesso ou ausência de sono e fome;
· sentimento de abandono e culpa;
· desejo de se isolar;
· queixas de dores no corpo e de cansaço.

Nos adolescentes:
· raiva contra a pessoa falecida, amigos, professores e até contra si mesmo;
· confusão mental e desatenção;
· queda da auto-estima;
· desinteresse pelos amigos, pelas atividades escolares e pela vida;
· pessimismo e sentimento de culpa;
· ansiedade e crises de angústia;
· solidão e fadiga;
· agressividade e uso de drogas e álcool.

Veja a seguir como a escola e os pais devem lidar com a morte:

1. Falar do assunto é importante. Crianças têm dúvidas, curiosidades, querem entender o que aconteceu. Pais, professores e educadores devem ouvir e responder a esses questionamentos. 

2. Não usar expressões do tipo "ele virou estrela" ou "foi para o céu". Elas não ajudam a criança a compreender o real significado da morte. 

3. Ajudar a criança a elaborar o sentimento de luto. É normal que as perdas tragam dor, e o luto é importante para superá-la. 

4. Em casos de tragédias, oferecer acompanhamento psicológico. E não apenas para as crianças. Muitas vezes, professores e pais também precisam desse tipo de acompanhamento, até para saber como lidar com as crianças. 

5. Abrir espaço para que os pais também tragam as suas contribuições e digam, por exemplo, como a criança tem se comportado em casa. O diálogo família-escola é essencial nessas situações. 

6. Organizar uma cerimônia de homenagem é uma maneira de dar a oportunidade para que toda a comunidade escolar possa se despedir da criança que morreu. 

7. Entender e saber lidar com possíveis alterações de comportamento ou uma queda de rendimento dos alunos. A morte de alguém próximo é sempre um trauma e isso pode se refletir no desempenho escolar das crianças. 

8. Jamais abolir os mortos da vida das crianças. Eles estarão sempre nas lembranças, na memória, nas fotografias. As crianças não precisam - e não devem! - esquecê-los.

Quer saber mais?
Laboratório de Estudos e Intervenções Sobre o Luto da PUC-SP, R. Monte Alegre, 961, 05014-001, São Paulo, SP, tel. (11) 3670-8040

Referências Bibliográficas:

http://revistaescola.abril.com.br/crianca-e-adolescente/comportamento/como-lidar-morte-431431.shtml

http://educarparacrescer.abril.com.br/comportamento/morte-escola-624422.shtml

 
 

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